24 janeiro 2010

CONCEITOS DA ECOGESTÃO (3)

A URBANIZAÇÃO MODERNA
Texto retirado da internet: juliobattisti-tutoriais

Resumo: neste tutorial será mostrado como a urbanização aumentou em escala global nos anos recentes, e como ela tem afetado principalmente as grandes cidades, trazendo melhorias, mas também, problemas.

URBANIZAÇÃO: FENÔMENO RECENTE

Apesar de o processo de urbanização ter se iniciado com a Revolução Industrial, foi até meados do século XX um fenômeno relativamente lento e circunscrito.
Após a Segunda Guerra Mundial, esse fenômeno foi concluído nos países desenvolvidos e iniciado de maneira avassaladora em muitos países subdesenvolvidos, na maioria dos países latino-americanos e em muitos países asiáticos. O continente africano até hoje é muito pouco urbanizado.

Segundo dados do Relatório do desenvolvimento humano 1995, publicado pela ONU, a população que vive em cidades antigas atingiu 34% do total em 1960, 44% em 1992.
O que se percebe é que todos os países desenvolvidos, bem como alguns países de industrialização recente, apresentam taxas altas de urbanização. Com exceção da China e da Índia, com as maiores populações do planeta e de industrialização recente, todos os países industrializados são urbanizados. Há países que apresentam índices muitos baixos de industrialização e outros que praticamente não dispõem de um parque industrial, e mesmo assim, são fortemente urbanizados.

Conclui-se que há dois conjuntos básicos de fatores que condicionam a urbanização: os atrativos, que atraem populações para cidades; e os repulsivos que as repelem do campo.

Urbanização em países desenvolvidos.
Os fatores atrativos da urbanização, em países desenvolvidos, estão ligados basicamente ao processo de industrialização, as transformações provocadas nas cidades pela industria.
Nesses países, além das transformações urbanas, houve, como conseqüência da Revolução Industrial, também uma Revolução Agrícola, ou seja, uma modernização da agropecuária que , ao longo da história, foi possibilitando a transferência de pessoa do campo para a cidade.
A urbanização que ocorreu nos países desenvolvidos foi gradativa. As cidades foram se estruturando lentamente para absorver os migrantes, havendo melhorias na infra-estrutura urbana e aumento da geração de empregos. Assim os problemas urbanos não se multiplicaram tanto como nos países subdesenvolvidos.

Urbanização em países subdesenvolvidos.
Já os fatores são típicos de países subdesenvolvidos. Estão ligadas as péssimas condições de vida existentes na zona rural, em função da estrutura fundiária bastante concentrada, dos baixos salários, da falta de apoio aos pequenos agricultores bastante. Assim, há uma grande transferência de população ara as cidades, para as grandes metrópoles, criando uma serie de problemas urbanos. Tais problemas são resultados de um fenômeno urbano característico de muitos países subdesenvolvidos: a macrocefalia urbana.
A macrocefalia deve ser entendida como o resultado da grande concentração das atividades econômicas, principalmente dos serviços, e, portanto, da população, em algumas cidades, que acabam se tornando muito grandes relativamente. Embora esse fenômeno ocorra também em países desenvolvidos, ele assume proporções maiores nos subdesenvolvidos.
O crescimento rápido de algumas cidades, que acabam culminando no fenômeno da metropolização, é resultado da incapacidade de criação de empregos, o que força o deslocamento de milhões de pessoas para as cidades que polarizam a economia de cada país. Acrescente-se a isso o fato de esses países, apresentarem altas taxas de natalidade e, portanto, alto crescimento demográfico, e está formado o quadro que explica o rápido crescimento das metrópoles no mundo subdesenvolvido.
Mesmo o centro dinâmico dos países subdesenvolvidos não tem capacidade de absorver tamanha quantidade de migrantes, e logo começa a aumentar o numero de pessoas desempregadas.
Proliferam cada vez mais as submoradias: favelas, cortiços, pessoas abrigadas debaixo de pontes e viadutos, quando não vivendo ao relento. Essa é a face mais visível do crescimento desordenado das cidades.


Favela de Paraisopolis, em São Paulo. Esta é uma das conseqüências da rápida urbanização em países subdesenvolvidos.


Cria-se, assim, um meio social extremamente favorável a proliferação de outros problemas: a violência urbana, roubos, assaltos, seqüestros, assassinatos, atingem milhares de pessoas todo o ano fazendo muitas vitimas fatais. É por essas razões que o estresse é o “mal do século”, atingindo principalmente os habitantes das grandes metrópoles.

Rede Urbana
A rede urbana é formada pelo sistema de cidades, interligadas umas as outras através dos sistemas de transportes e de comunicações.
Obviamente, as redes urbanas dos países desenvolvidos são mais densas e articulados, pois tais países apresentam alto nível de industrialização e de urbanização, economias diversificadas e dinâmicas, vigoroso mercado interno e alta capacidade de consumo. Quanto mais complexa a economia de um país ou de uma região, maior é a sua taxa de urbanização e a quantidade de cidades, mais densa é a sua rede urbana e, portanto, maiores são os fluxos que as interligam.
Assim, as redes de cidades mais densas e articuladas surgem justamente naquelas regiões do planeta onde estão as megalópoles.

Hierarquia Urbana
Muitos autores passaram a utilizar o conceito de rede urbana para se referir a crescente articulação existente entre as cidades, como resultado da expansão do processo de industrialização ou urbanização. Na tentativa de apreender as relações travadas entre as cidades no interior de uma rede, a noção de hierarquia urbana também passou a ser utilizada.
Logo, a metrópole seria o nível Maximo de poder e influencia econômica e a vila, o nível mais baixo, e sofreria influencia de todas as outras.

Atualmente, já é possível falar da existência de uma nova hierarquia urbana, dentro da qual a relação da vila ou da cidade local pode ser travada com o centro regional ou, em certos níveis, mesmo diretamente com a metrópole nacional.

Da cidade de Sorocaba que fica a aproximadamente 100 quilômetros de São Paulo, e deslocar-se periodicamente a metrópole paulista para as compras, ou para o lazer, ou mesmo para trabalhar e, dessa forma deslocar-se cotidianamente.

Se a pessoa vive, por exemplo, numa chácara a quilômetros da grande cidade, mas tem a sua disposição telefone, computador, modem, fax, antena parabólica e um bom automóvel, ela está mais integrada do que a pessoa que mora dentro da cidade, por exemplo, num cortiço ou numa favela, e não tem acesso a todos esses modernos e bens serviços. Percebe-se, portanto, que o que define a integração ou não das pessoas a moderna sociedade capitalista é a maior ou menor disponibilidade de renda, e não mais as distancias que as separam dos lugares.

Essa relativização das distâncias, que tem repercussões da rede urbana, também pode ser verificada nas relações capitalistas de reprodução. Por exemplo, a agroindústria de suco de laranja ou de açúcar e álcool do interior do estado de São Paulo. Essas industrias estão localizadas na zona rural e, no entanto, a mão-de-obra que utilizam, os bóias-frias, vive nas cidades. Além disso, elas dispõem de grandes volumes de capital e produzem para o país interior e para o exterior.

Nos países desenvolvidos, e mesmo nas regiões industrializadas dos países subdesenvolvidos, é cada vez mais comum a descentralização das industrias, instaladas na zona rural, nos eixos de moderna rodovias e ferrovias.

A expansão do capital vai envolvendo todas as atividades no processo de modernização. Tudo acaba sendo integrado economicamente e geograficamente na lógica do lucro, na lógica da reprodução do capital.

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